LEIS SUNTUÁRIAS NA INGLATERRA: DE HENRIQUE VIII a ELIZABETH I

21.4.26 |

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 As Leis Suntuárias na Inglaterra foram criadas desde o século XV para determinar o que cada classe social podia vestir. No reinado de Henrique VIII e Elizabeth I estas leis tornaram-se mais rigorosas incluindo penalidades para quem descumprisse. Para que estas leis foram criadas? Conter gastos, motivos econômicos ou manter a distinção social? É sobre isto que vamos falar neste artigo. Fica por aqui e conheça mais sobre as Leis Suntuárias na Inglaterra. 


O que eram as leis suntuárias?


As leis suntuárias são regulamentações que enquadram e limitam o uso das vestimentas, dos alimentos ou das bebidas, quase sempre em função da inclusão social, étnica ou religiosas dos indivíduos. Para a compreensão da moda, estas leis assumem um papel importante, já que expressam a luta entre as classes sociais, quando, ao limitarem as práticas relativas ao vestuário e não apenas aos bons costumes, a aristocracia tenta reprimir a burguesia.  

 

Além de ter suas bases fundadas no que diz respeito ao vestuário, as Leis Suntuárias possuíam objetivos econômicos ao reduzirem as importações de alguns produtos estrangeiros, mantendo aquecido o mercado local.

 

 As Leis Suntuárias no reinado de Henrique VIII


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Henrique VIII. Via | Wikipédia

As restrições suntuárias sobre o vestuário na Inglaterra surgiram em 1337, mas foi durante os séculos XV e XVI que alcançaram de fato o poder como leis a serem seguidas. Inicialmente o uso de peles e tecidos estrangeiros só poderiam serem usadas apenas para as classes mais altas de acordo com o título, renda ou profissão. 

Quando Henrique VIII reuniu-se pela primeira vez com o Parlamento em janeiro de 1510, aprovou uma Lei Suntuária que se baseava em grande parte em leis anteriores de 1463 e 1483. Mas ao longo de seu reinado, criaram novas restrições às cores e aos tecidos para as vestimentas masculinas e femininas e penalidades em caso de descumprimento, exceção apenas para aqueles a quem o Rei concedesse licenças especiais.


Elizabeth I: o rigor e a distinção social



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Elizabeth I . Via | World History


Logo que subiu ao trono em 1558, Elizabeth I impôs muito rigor para o cumprimento das Leis Suntuárias anteriores atribuindo a responsabilidade de garantir seu cumprimento aos magistrados e homens de poder, além de dois fiscais por paróquia de cada cidade designados para esta tarefa.

 

Estas restrições tinham vários propósitos entre eles conter o desejo dos jovens cavalheiros e nobres em ascensão de realizar gastos excessivos acima de suas possibilidades, na tentativa de se apresentarem vestindo os melhores e mais caros materiais disponíveis como símbolos de posição mais elevada. 

 

Estes gastos também preocupavam a monarquia que considerava o investimento em bens de maior utilidade para a nação como mais importante do que o vestuário. Elizabeth se manifestou em uma proclamação de 1574 revelando sua visão sobre o assunto dizendo que "o excesso do vestuário promoviam o desperdício e a ruína de um grande número de jovens cavalheiros."

 

Mas nem só com a moderação das extravagâncias do vestuário a Coroa estava preocupada. Com o desejo de manter sua riqueza dentro da própria Inglaterra e conseguir sustentar uma balança comercial favorável, ao limitar o consumo de produtos estrangeiros como seda e peles, garantia que seus súditos comprassem apenas produtos locais e não mercadorias estrangeiras desnecessárias. Uma das causas destas restrições foram as tendências de moda cada vez mais suntuosas que vinham da Europa continental e chegavam as ruas de Londres, provocando o aumento do consumo dos produtos estrangeiros para acompanhar as novas modas.


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Nobres na Elisabetana. Via | World History

Em 1574 Elizabeth I estabeleceu a lei mais detalhada de todas já promulgadas, listando especificamente tecidos, cores e acessórios, designando explicitamente o uso dessas vestimentas por pessoas de acordo com sua posição social, entre elas, os barões, condes, viscondes, cavalheiros, e outros nobres.


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Robert Dudley Conde de Lancaster- 1560-1565.  Via |  Wikipédia|

Estes estatutos estipulavam também o que somente o Rei, a Rainha, a Mãe do Rei, os filhos e os irmãos podiam usar. Apenas para eles era permitido o uso de qualquer seda de cor púrpura, tecido com fios de ouro, peles de zibelina. A lei proibia ainda que mulheres que não pertenciam a família real usassem damasco, tafetá ou outra seda, uso liberado apenas para esposas dos cavalheiros. E mais, estipulavam até os tecidos de cada chapéu e o comprimento máximo das espadas para homens de diferentes classes sociais.


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George Clifford - 3º Conde de Cumberland. Via | Wikipédia

 

Qualquer pessoa abaixo da posição de um cavalheiro que possuísse servos, estes não podiam usar nenhum tipo de pele. Já os plebeus eram proibidos de usar meias feitas de material que custasse mais do que um determinado valor. Qualquer pessoa que fosse flagrada infringindo estas leis suntuárias, corria o risco de serem multadas e até de ter a peça de roupa confiscada. Isto mostra que pessoas de todas as classes sociais estavam dispostas a transgredir as leis para usar as melhores roupas da época.

 

A sociedade da Inglaterra da era Tudor era estratificada e havia segregação por classes, portanto, era de vital importância que as pessoas se vestissem de acordo com os padrões de sua própria classe. Por ser uma sociedade altamente estruturada e hierárquica, as Leis Suntuárias asseguravam que todos se mantivessem em seus devidos lugares, impedindo que as pessoas se vestissem como algo que não eram.

 

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Elizabeth Howard Condessa de Carrick. Via | World History

Desta forma, as distinções do vestuário tentavam conter as tentativas de ascensão social da burguesia emergente, formada por uma classe mercantil poderosa, e também por um grupo de profissionais urbanos, configurando uma mobilidade entre as classes e competindo com uma aristocracia em declínio, que tentava preservar a exclusividade monopolizando os símbolos do luxo.


O fim das Leis Suntuárias

 

A Coroa tentou controlar esta situação. Elizabeth I promulgou doze decretos sobre vestuário, enquanto Henrique VIII emitiu cinco, tornando seu reinado sem precedentes em restrições sobre as roupas, deixando claro quem era quem.  Mas as tentativas fracassaram após sua morte quando subiu ao trono Jaime I e, no primeiro encontro com o Parlamento, em 1604, ele anulou efetivamente todas as Leis de Vestuário instituídas por seus antecessores. 


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CRÉDITOS


Fontes:

GODART, Frédéric. Sociologia da Moda. Editora Senac São Paulo, 2010.

https://www.folger.edu/blogs/shakespeare-and-beyond/renaissance-fashion-elizabethan-clothing/?_ga=2.50437550.607139780.1776558508-681655752.1776558508

https://www-personal.umd.umich.edu/~cfinlay/sumptuary.html

https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1577/roupas-na-era-elisabetana/




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