HISTÓRIA DOS BROCHES: Do uso funcional ao item fashion contemporâneo

8.5.25 |

Os broches nasceram como peça de uso funcional na pré-história e assim foi usado por muitas civilizações na antiguidade. Evoluiu para adornos e joias como símbolo de distinção social pelos materiais de fabricação e exclusividade do design. Mas até se tornarem populares, os broches percorreram um longo caminho e até caíram no gosto de homens que frequentam a cena fashion. Neste artigo vamos contar a história dos broches, sua evolução e algumas curiosidades. Vamos lá?

*Conteúdo escrito por humano.

A invenção dos broches


Se hoje vemos os broches como joias ou acessórios, eles começaram a ser usados como itens funcionais e utilitários que serviam para prender as peças que se transformavam em uma espécie de tanga. Os primeiros registros mostram broches feitos a partir de espinhos e mais tarde, fabricados com osso, conhecido pelo termo fíbola. Os sumérios usavam para prender os kaunakes -  retângulos de tecido feitos à partir de lã - que em tamanhos maiores envolviam o corpo e dando início aos drapeados. 


Chegamos na Idade do Bronze e os broches tomaram forma de alfinetes simples com anéis circulares, e eram muito usados para prender capas e outras peças de vestuário durante o inverno. Na medida em que os artesãos aprimoravam suas habilidades e o ferro se tornava um material mais disponível, os broches começaram a assumir formas mais elaboradas, com detalhes em espiral e uma aparência de disco, que além de sua função, já assumiam também o caráter de ornamentação.


As formas e motivos naturalistas inspiraram os artesãos durante o período anglo-saxão (410 - 1066 d.C), da Irlanda e Grã-Bretanha. Eles produziam alfinetes coloridos feitos com pedaços de esmalte em forma de pássaros, galhos e até folhas. Esses broches eram utilizados como fechos de manto por celtas e vikings e tinham a forma de um longo alfinete preso a um anel que se movia e, já aberto permitia que o alfinete passasse sem deixar um furo permanente na roupa e fazia parte do vestuário masculino e feminino.

Os broches como joias e adornos


No Renascimento o broche se estabeleceu como um acessório decorativo usado pelos aristocratas da época, que usavam preso aos vestidos ou como pendentes. Neste período, a moda dá os seus primeiros passos e os broches se tornam ornamento essencial também na roupa dos burgueses. Estas peças, com inspiração na antiguidade, muitas vezes apresentavam pedras preciosas recém-descobertas, como esmeraldas, diamantes e rubis, e significavam que o usuário pertencia à classe alta.


Como a moda se espalhava e alcançava todas as classes, os broches se popularizaram e se tornaram mais disponíveis para as massas, e a variedade de designs também começou a crescer no século XIX. Fortunato Pio Castellani, joalheiro e ourives romano, ganhou popularidade por ser pioneiro em reproduzir o estilo grego e etrusco em joias e costumava recriar as peças em forma de disco usadas durante a era etrusca e indicavam que seus usuários acompanhavam a moda.

Estilos de broches na Era Vitoriana


A era vitoriana, trouxe uma nova função para os broches. Eles começaram a adquirir significados sociais e pessoais mais profundos. Depois da morte do príncipe Abert em 1861, a rainha Vitória passou a usar joias mais escuras para refletir seu luto, a realeza também aderiu o estilo, dando origem ao "broche de luto", que já adquiria também o formato de pendente.

Os broches de luto eram normalmente feitos com esmalte preto e pérolas, ou em tons sépia montados em marfim, e muitas vezes incluíam uma mecha de cabelo do falecido, além das datas do seu nascimento e da morte no desenho.


 Novos estilos dos broches


No final do século XIX surgem broches luxuosos, representando flores, insetos e folhagens, se tornaram moda. O estilo "aigrette" do broche era semelhante a uma pena que exibia diamantes e granadas e às vezes possuíam pequenos pássaros voando ao redor de uma pluma e podiam ser usados no cabelo.


Já na França, a moda era o "En Tremblant", um termo francês que significa tremer e define um tipo de broche, na maioria das vezes no formato de flor, onde o centro da flor é preso a um mecanismo que permite que a flor se movesse com algum movimento de quem usava. Esses tipos de broches eram cravejados com diamantes muito usados nos séculos XVIII e XIX, antes do advento da eletricidade. O efeito de tremor era mais impressionante quando os diamantes se moviam à luz das velas.

Os broches temáticos


Broches de "Grand Tour"


Para refletir a sofisticação cultural da última parte do século XIX, as classes mais altas da Europa disfrutavam do "Grand Tour", um feriado padrão para estas classes. Ao viajar por Veneza, Florença e Roma, os turistas compraram broches como joias-souvenirs da sua viagem, cujo tema incluía a arquitetura romana antiga além de flores, animais e pássaros.


Broches de Camafeus


Embora os camafeus - pedras duras e conchas esculpidas em relevo - remontem a tempos antigos, eles também faziam parte das lembranças do "Grand Tour". Muitos associam broches de camafeu à Rainha Vitória, que tinha o hábito presentar os membros da corte e funcionários, com imagens dela ou do Príncipe Albert. Mas os broches de camafeu mais atraentes ao longo do tempo são os que narram lendas, cenas mitológicas ou deuses e deusas.


Broches de amor


A Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) trouxe uma nova função para os broches: eram dados pelos soldados aos seus entes queridos quando seguiam para a guerra. Conhecidos como "broches de amor" no final da Era Vitoriana foram confeccionados em folhas de prata e simbolizavam afeto, com motivos e mensagens mais variadas. Eram decorados com pombinhos e corações duplos, até votos de boa sorte e fabricados em prata, material mais acessível, e quase todas as classes sociais podiam adquirir ou presentear estas lembranças. 

Broches Art-Decò e no Pós Guerra


Nos anos 1920 e 1930, período do Art Decò, um tipo de broche se consagrou como moda E possuía um design diferente, que possibilitava seu uso de diversas maneiras. Podia ser usado como um grande broche ou destacados e usados como clipes separados, por possuírem um mecanismo de encaixe na parte de trás que possibilitava esta divisão. Eram fixados nas alças e nos decotes esquerdo e direito dos vestidos, nas golas e punhos, e também podiam ser fixados em acessórios como sapatos ou mesmo, presos a uma bolsa.


Com o fim da Guerra em 1949, o mundo retoma a produção do luxo interrompida devido à escassez de materiais e joalherias famosas como Van Cleef & Arpels, David Webb e Verdura além de Renèe Lalique produziram peças marcantes com motivos nunca vistos antes. Os icônicos broches com a bailarina espanhola enfeitada com um cocar de rubis, segurando um leque da Van Cleef & Arpels inspirado na paixão de Louis Arpels pelo balé e pela ópera, e o instigante design do broche "Dragonfly" de Renèe Lalique, representam o clima da época. 



Os broches caminharam junto com a história. Ora usado apenas como joias, ora com materiais mais acessíveis como os "bottons" ou "pins", que trazem mensagens publicitárias, viram souvenirs ou são usados como meros enfeites, em golas, chapéus, bolsas e onde a imaginação alcançar. Hoje os homens já arriscam o uso dos broches em ocasiões especiais principalmente em eventos de moda. No Met Gala e na cerimônia do Oscar 2025, marcaram presença.  

Lewis Hamilton - Met Gala  2025. Via | Vogue

E por hoje é isso.
Obrigada pela visita. Você é sempre bem-vindo(a) por aqui.
Ative o sininho e receba notificações assim que novos conteúdos foram publicados ou segue o blog nas redes sociais por lá também divulgamos novos conteúdos.


Créditos:





POLÍTICA DE PRIVACIDADE | SOBRE
© Cultura de Moda - 2025. Todos os direitos reservados. Criado por: Cultura de Moda. Tecnologia do Blogger.