A ORIGEM DA MODA E A INFLUÊNCIA DA CIVILIZAÇÃO BIZANTINA

25.3.26 |

 

Quando se fala sobre a origem da moda, os autores citam que o seu início ocorreu no período do Renascimento, que foi um prolongamento do Humanismo. Destes movimentos culturais nasceu uma nova sociedade, com um novo pensamento, inspirada nos estudos sobre o helenismo a partir dos escritos preservados pelos Bizantinos. Esta nova sociedade encontra uma burguesia enriquecida que se tornou patrocinadora da cultura e da arte, rivalizando com a aristocracia nos costumes, luxo e vestuário, que vai dar origem a moda. Este é o tema deste artigo: a relação entre a origem da moda e a civilização Bizantina. Interessado no assunto? Então fica por aqui e aproveita nosso conteúdo.


*CONTEÚDO ESCRITO POR HUMANO

DE ROMA PARA CONSTANTINOPLA


O Império Romano se estendia pela África do Norte, Egito, Síria, Armênia, Ásia Menor, Sicília, partes da Itália e da Espanha. Da capital Roma saíam todas as decisões políticas. E foi assim até 330 d.C quando o Imperador Constantino decidiu transferir a capital do Império para Bizâncio, cidade grega situada nas margens do estreito de Bósforo, que ele rebatizou com o nome de Constantinopla, hoje Istambul na Turquia. A maioria da população falava o grego e a cultura helênica se misturava com a cultura ocidental assim como falavam o latim levada pelos romanos.


<img src="imparador-constantino-imperio-bizantino.png" alt="Estátua do Imperador Constantino - Império Bizantino"
Imperador Constantino. Via | Mundo Educação

Constantinopla atingiu seu auge no século VI. Sua posição privilegiada, entre o Ocidente e o Oriente, era a confluência de rotas comerciais. Tornou-se o grande centro político, religioso, comercial e de arte do seu tempo. Ali estavam concentrados os melhores artistas e artífices que fabricavam artigos de luxo e ostentação que alimentavam o comércio.


Quase todos os imperadores patrocinavam a confecção de objetos de arte, de que faziam coleção e os seus palácios eram recheados com opulência. Os centros de produção e as oficinas dos artífices situavam-se dentro dos muros do Grande palácio dos Imperadores, sendo afamados pelos marfins, trabalho em metal, esmaltes e bordados. Ali se produziam também as famosas sedas usadas nas vestimentas da família real e das pessoas ricas, além de tapeçarias de alta qualidade.


Os mosaicos, a grande representação da arte bizantina, revestia as paredes, os pavimentos dos palácios, mosteiros e igrejas, que estavam repletos de riquezas e conforto onde se fazia abundante uso de almofadas e tapeçarias.


Iimg src="imperador-joao-iii-imperatriz-irene-e-menino-jesus-mosaico-bizantino.png" alt="Mosaico bizntino com o Imperador João III, e Imteratriz Irene e o Menino Jesus"
Imperador Joao II, Imperatriz Irene e o Menino Jesus. Via | National Geographic

DIVISÃO DO IMPÉRIO ROMANO


Em 380, o Imperador Teodósio decretou a religião cristã como oficial, colocando o paganismo fora da lei. A religião cristã será a base dos costumes e leis do Império. Antes de morrer em 395, ele dividiu o Império Romano em duas partes deixando como herança para seus filhos. Ao primeiro filho, Honório, coube o Império do Ocidente, capital Roma. Ao segundo, Arcádio, o Império do Oriente, capital Constantinopla. Tem início o Império Bizantino.


Em contraste com a prosperidade do Império do Oriente ou Bizantino, a Europa Ocidental ia caminhando para um estado de decadência. Nesta época, o Império Romano do Ocidente achava-se rodeado por povos guerreiros, de línguas, costumes e culturas diferentes. Como não falavam nem latim nem grego, os dois idiomas do Império, os romanos os chamavam de "bárbaros".


Durante o século V, os bárbaros começaram a forçar as fronteiras e invadir o Império que para se proteger, estabeleceu fortificações nas fronteiras e campos militares ocupados por legiões de soldados, mas sem sucesso. Estas invasões contribuíram para o empobrecimento dos centros urbanos, quase destruídos e despovoados, sobrevivendo apenas os que possuíam um centro religioso ou alguma indústria antiga. Em 476 o Imperador Rômulo Augusto é deposto, marcando o fim do Império do Ocidente data que, para muitos, assinala o início da Idade Média.


IMPÉRIO DO ORIENTE: PROSPERIDADE E PODER


Em 527, subiu ao trono Justiniano. Seu longo reinado de quase 40 anos (527-565) foi a época mais brilhante do Império Bizantino. Ele tentou restabelecer os limites do antigo Império Romano, vencendo diversos povos bárbaros, reconquistando a África do Norte, a Itália e a Espanha, enquanto resistia aos ataques dos persas (no oriente) e dos eslavos no norte.


<img src=imperador-justiniano-e-bispo-maximiliano-imperio-bizantino.png" alt="Mosaico Bizantino com o Imperador Justiniano e o Bispo Maximiliano"
Imperador Justiniano e o Bispo Maximiliano. Via | National Geographic

Justiniano foi um grande construtor. Embelezou Constantinopla, ergueu muitos monumentos, fortalezas, aquedutos, termas, hospitais igrejas e palácios. A mais notável construção foi a igreja de Santa Sofia, considerado o supremo expoente da arte bizantina. A obra demorou cinco anos (532-537) com mais de 10.000 homens trabalhando sob a direção de dois arquitetos helênicos.


Igreja de Santa Sofia - Istambul. Via | Wikipedia

Justiniano era casado com Teodora, uma bela mulher, atriz e dançarina que não atendia aos requisitos da Igreja; mas Justiniano modificou algumas leis sobre o casamento real, e ela tornou-se Imperatriz, pertencente a uma família real cujos vestuários eram ricos, substituindo a lã pelos finos linhos do Egito e as sedas da China. As joias com detalhes em pedras preciosas eram os adornos usados pelo casal real e pelos ricos que compunham as classes mais elevadas.


Imperatriz Teodora. Basílica de San Vitale- Ravena. Via | Wikipedia 

A seda chinesa foi substituída pela seda fabricada em Bizâncio. No início o tecido era transportado por caravanas da Ásia, um processo demorado e caro. Diz a lenda, que Teodora enviou dois monges missionários à China e eles voltaram trazendo alguns bichos da seda dentro de uma bengala oca. Os bichos da seda cresceram e multiplicaram-se e Bizâncio tornou-se capaz de fiar e tecer sua própria seda de alta qualidade.


Após a morte de Justiniano, o Império Bizantino foi decaindo e perdendo aos poucos todas as conquistas militares. A Itália, o sul da Espanha, e a península dos Balcãs caíram novamente em poder dos povos bárbaros e os árabes conquistaram a Síria, o Egito e o Norte da África.


Durante toda a Idade Média, o Império Bizantino foi ameaçado. Constantinopla era um alvo cobiçado pelos mercadores italianos, que aumentavam suas atividades comerciais em cidades como Genova e Veneza e queriam estabelecer o monopólio comercial no Mar Mediterrâneo, desviando as rotas para seus portos. Durante o período das Cruzadas, Constantinopla foi arrasada por venezianos e franceses e começou a sua decadência perdendo seu poderio comercial.


Do lado Oriental, os turcos também desejavam conquistar o Império Bizantino. Os sucessivos ataques levaram muitos eruditos bizantinos a fugiram de Constantinopla e se estabelecerem no Ocidente. Finalmente, após 11 meses de cerco, em 29 de maio de 1453, os turcos otomanos tomaram Constantinopla. Este episódio marca o fim da Idade Média.


AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA DE CONSTANTINOPLA


A cultura originária do Império Bizantino era grega e cristã e se consagraram como um centro de irradiação cultural. Em suas bibliotecas estavam obras dos historiadores, sábios, poetas e oradores da época helênica e romana. Após a queda de Constantinopla os eruditos bizantinos que emigraram para a Itália levaram uma rica bagagem desta cultura para o Ocidente, dando origem ao Humanismo e em seguida, ao Renascimento.


Os chamados humanistas dedicaram-se aos estudos das obras da antiguidade clássica (helênica) provocando um desabrochar das artes, das ciências e do pensamento. É o começo da Idade Moderna marcado pelas transformações literárias, artísticas e científicas, que se produzem na Europa, sobretudo na Itália que foi denominado Renascimento. Era o fim de uma sociedade fechada, baseada em tradições e regras do feudalismo, e o nascimento de uma sociedade aberta, desejosa de criar e inovar.


A BURGUESIA, AS ARTES E A MODA


A Idade Moderna do Renascimento já encontra uma burguesia enriquecida, formada por banqueiros e ricos comerciantes, que se transformaram em mecenas (patrocinadores) dos estudos e das artes, como a família Médicis, que fizeram de Florença a capital do Humanismo e do Renascimento. O patrocínio dos mecenas burgueses se constituiu em um importante legado, que permite o estudo da história da moda, nas obras que retratam com riqueza de detalhes os usos e costumes da época.


Maria Di Cosimo I de Médici. Agnolo Bronzino 1551. Via |Wikipedia

img src="angela-del-moro-ticiano-1536.png" alt= "Retrato de Angela Del Moro pintado por Ticiano em 1536"
Agnela del Moro - Ticiano 1536. Via | Wikipedia

ing src="eleonora-di-toledo-agnelo-bronzino-1544.png" alt="Retrato de Eleonora di Toledo pintado por Agnelo Bronzino 1544"
Eleonora Di Toledo com o filho Giovanni. Agnolo Bronzino. 1544. Via | Wikipedia

A ascensão da burguesia que se transformou na classe mais poderosa da Europa Ocidental, em suas pretensões de nivelar o luxo e a ostentação com a aristocracia, dá origem à imitação dos costumes, das residências luxuosas semelhantes aos palácios e também do vestuário. Deste processo de imitação do vestuário, rejeitado pela aristocracia e as sucessivas mudanças para manter a distinção social, fez nascer o que, em 1650 se chamou "moda".


Assim, podemos concluir que o nascimento da moda está ligado à cultura bizantina. Foi pelos escritos preservados em suas bibliotecas que chegaram à Itália, despertando interesse dos estudiosos dando origem ao Humanismo e um novo pensamento distante do feudalismo arcaico, que fez desabrochar a arte, a literatura, e novos costumes que vem a ser a base do Renascimento e a origem moda.


E por hoje é isso.

Se você gostou do nosso conteúdo, ative o sininho e receba notificações quando publicarmos novos artigos, ou siga-nos em nossas redes sociais, por lá tem as novidades do blog. 

Obrigada pela visita. Volte sempre. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Voltaremos logo.


FONTES:

BECKER. Idel. Pequena História da Civilização Ocidental. Companhia Editora Nacional. São Paulo: 1971.

OATES. Phyllis Bennett. História do Mobiliário Ocidental. Lisboa: Editorial Presença. 1991. 

LAVER, James. A Roupa e a Moda: Uma história concisa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989  



POLÍTICA DE PRIVACIDADE | SOBRE
© Cultura de Moda - 2025. Todos os direitos reservados. Criado por: Cultura de Moda. Tecnologia do Blogger.