Quando se fala sobre a origem da moda, os autores citam que o seu início ocorreu no período do Renascimento, que foi um prolongamento do Humanismo. Destes movimentos culturais nasceu uma nova sociedade, com um novo pensamento, inspirada nos estudos sobre o helenismo a partir dos escritos preservados pelos Bizantinos. Esta nova sociedade encontra uma burguesia enriquecida que se tornou patrocinadora da cultura e da arte, rivalizando com a aristocracia nos costumes, luxo e vestuário, que vai dar origem a moda. Este é o tema deste artigo: a relação entre a origem da moda e a civilização Bizantina. Interessado no assunto? Então fica por aqui e aproveita nosso conteúdo.
DE ROMA PARA CONSTANTINOPLA
O Império Romano se estendia pela África do Norte, Egito,
Síria, Armênia, Ásia Menor, Sicília, partes da Itália e da Espanha. Da capital
Roma saíam todas as decisões políticas. E foi assim até 330 d.C quando o
Imperador Constantino decidiu transferir a capital do Império para Bizâncio,
cidade grega situada nas margens do estreito de Bósforo, que ele rebatizou com
o nome de Constantinopla, hoje Istambul na Turquia. A maioria da população falava o grego e a
cultura helênica se misturava com a cultura ocidental assim como falavam o
latim levada pelos romanos.
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| Imperador Constantino. Via | Mundo Educação |
Constantinopla atingiu seu auge no século VI. Sua posição privilegiada, entre o Ocidente e o Oriente, era a confluência de rotas comerciais. Tornou-se o grande centro político, religioso, comercial e de arte do seu tempo. Ali estavam concentrados os melhores artistas e artífices que fabricavam artigos de luxo e ostentação que alimentavam o comércio.
Quase todos os imperadores patrocinavam a confecção de
objetos de arte, de que faziam coleção e os seus palácios eram recheados com
opulência. Os centros de produção e as oficinas dos artífices situavam-se
dentro dos muros do Grande palácio dos Imperadores, sendo afamados pelos
marfins, trabalho em metal, esmaltes e bordados. Ali se produziam também as
famosas sedas usadas nas vestimentas da família real e das pessoas ricas, além
de tapeçarias de alta qualidade.
Os mosaicos, a grande representação da arte bizantina,
revestia as paredes, os pavimentos dos palácios, mosteiros e igrejas, que
estavam repletos de riquezas e conforto onde se fazia abundante uso de
almofadas e tapeçarias.
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| Imperador Joao II, Imperatriz Irene e o Menino Jesus. Via | National Geographic |
DIVISÃO DO IMPÉRIO ROMANO
Em 380, o Imperador Teodósio decretou a religião cristã como
oficial, colocando o paganismo fora da lei. A religião cristã será a base dos
costumes e leis do Império. Antes de morrer em 395, ele dividiu o Império
Romano em duas partes deixando como herança para seus filhos. Ao primeiro
filho, Honório, coube o Império do Ocidente, capital Roma. Ao segundo, Arcádio,
o Império do Oriente, capital Constantinopla. Tem início o Império Bizantino.
Em contraste com a prosperidade do Império do Oriente ou
Bizantino, a Europa Ocidental ia caminhando para um estado de decadência. Nesta
época, o Império Romano do Ocidente achava-se rodeado por povos guerreiros, de
línguas, costumes e culturas diferentes. Como não falavam nem latim nem grego,
os dois idiomas do Império, os romanos os chamavam de "bárbaros".
Durante o século V, os bárbaros começaram a forçar as fronteiras e invadir o Império que para se proteger, estabeleceu fortificações nas fronteiras e campos militares ocupados por legiões de soldados, mas sem sucesso. Estas invasões contribuíram para o empobrecimento dos centros urbanos, quase destruídos e despovoados, sobrevivendo apenas os que possuíam um centro religioso ou alguma indústria antiga. Em 476 o Imperador Rômulo Augusto é deposto, marcando o fim do Império do Ocidente data que, para muitos, assinala o início da Idade Média.
IMPÉRIO DO ORIENTE: PROSPERIDADE E PODER
Em 527, subiu ao trono Justiniano. Seu longo reinado de quase 40 anos (527-565) foi a época mais brilhante do Império Bizantino. Ele tentou restabelecer os limites do antigo Império Romano, vencendo diversos povos bárbaros, reconquistando a África do Norte, a Itália e a Espanha, enquanto resistia aos ataques dos persas (no oriente) e dos eslavos no norte.
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| Imperador Justiniano e o Bispo Maximiliano. Via | National Geographic |
Justiniano foi um grande construtor. Embelezou Constantinopla, ergueu muitos monumentos, fortalezas, aquedutos, termas, hospitais igrejas e palácios. A mais notável construção foi a igreja de Santa Sofia, considerado o supremo expoente da arte bizantina. A obra demorou cinco anos (532-537) com mais de 10.000 homens trabalhando sob a direção de dois arquitetos helênicos.
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| Igreja de Santa Sofia - Istambul. Via | Wikipedia |
Justiniano era casado com Teodora, uma bela mulher, atriz e
dançarina que não atendia aos requisitos da Igreja; mas Justiniano modificou
algumas leis sobre o casamento real, e ela tornou-se Imperatriz, pertencente a
uma família real cujos vestuários eram ricos, substituindo a lã pelos finos
linhos do Egito e as sedas da China. As joias com detalhes em pedras preciosas
eram os adornos usados pelo casal real e pelos ricos que compunham as classes
mais elevadas.
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| Imperatriz Teodora. Basílica de San Vitale- Ravena. Via | Wikipedia |
A seda chinesa foi substituída pela seda fabricada em Bizâncio. No início o tecido era transportado por caravanas da Ásia, um processo demorado e caro. Diz a lenda, que Teodora enviou dois monges missionários à China e eles voltaram trazendo alguns bichos da seda dentro de uma bengala oca. Os bichos da seda cresceram e multiplicaram-se e Bizâncio tornou-se capaz de fiar e tecer sua própria seda de alta qualidade.
Após a morte de Justiniano, o Império Bizantino foi decaindo
e perdendo aos poucos todas as conquistas militares. A Itália, o sul da
Espanha, e a península dos Balcãs caíram novamente em poder dos povos bárbaros
e os árabes conquistaram a Síria, o Egito e o Norte da África.
Durante toda a Idade Média, o Império Bizantino foi
ameaçado. Constantinopla era um alvo cobiçado pelos mercadores italianos, que
aumentavam suas atividades comerciais em cidades como Genova e Veneza e queriam
estabelecer o monopólio comercial no Mar Mediterrâneo, desviando as rotas para
seus portos. Durante o período das Cruzadas, Constantinopla foi arrasada por
venezianos e franceses e começou a sua decadência perdendo seu poderio
comercial.
Do lado Oriental, os turcos também desejavam conquistar o
Império Bizantino. Os sucessivos ataques levaram muitos eruditos bizantinos a
fugiram de Constantinopla e se estabelecerem no Ocidente. Finalmente, após 11
meses de cerco, em 29 de maio de 1453, os turcos otomanos tomaram
Constantinopla. Este episódio marca o fim da Idade Média.
AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA DE CONSTANTINOPLA
A cultura originária do Império Bizantino era grega e cristã
e se consagraram como um centro de irradiação cultural. Em suas bibliotecas
estavam obras dos historiadores, sábios, poetas e oradores da época helênica e
romana. Após a queda de Constantinopla os eruditos bizantinos que emigraram
para a Itália levaram uma rica bagagem desta cultura para o Ocidente, dando
origem ao Humanismo e em seguida, ao Renascimento.
Os chamados humanistas dedicaram-se aos estudos das obras da antiguidade clássica (helênica) provocando um desabrochar das artes, das ciências e do pensamento. É o começo da Idade Moderna marcado pelas transformações literárias, artísticas e científicas, que se produzem na Europa, sobretudo na Itália que foi denominado Renascimento. Era o fim de uma sociedade fechada, baseada em tradições e regras do feudalismo, e o nascimento de uma sociedade aberta, desejosa de criar e inovar.
A BURGUESIA, AS ARTES E A MODA
A Idade Moderna do Renascimento já encontra uma burguesia
enriquecida, formada por banqueiros e ricos comerciantes, que se transformaram
em mecenas (patrocinadores) dos estudos e das artes, como a família Médicis,
que fizeram de Florença a capital do Humanismo e do Renascimento. O patrocínio dos mecenas burgueses se constituiu em um importante legado, que permite o estudo da história da moda, nas obras que retratam com riqueza de detalhes os usos e costumes da época.
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| Maria Di Cosimo I de Médici. Agnolo Bronzino 1551. Via |Wikipedia |
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| Agnela del Moro - Ticiano 1536. Via | Wikipedia |
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| Eleonora Di Toledo com o filho Giovanni. Agnolo Bronzino. 1544. Via | Wikipedia |
A ascensão da burguesia que se transformou na classe mais poderosa da Europa Ocidental, em suas pretensões de nivelar o luxo e a ostentação com a aristocracia, dá origem à imitação dos costumes, das residências luxuosas semelhantes aos palácios e também do vestuário. Deste processo de imitação do vestuário, rejeitado pela aristocracia e as sucessivas mudanças para manter a distinção social, fez nascer o que, em 1650 se chamou "moda".
Assim, podemos
concluir que o nascimento da moda está ligado à cultura bizantina. Foi pelos
escritos preservados em suas bibliotecas que chegaram à Itália, despertando
interesse dos estudiosos dando origem ao Humanismo e um novo pensamento
distante do feudalismo arcaico, que fez desabrochar a arte, a literatura, e
novos costumes que vem a ser a base do Renascimento e a origem moda.
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FONTES:
BECKER. Idel. Pequena História da Civilização Ocidental. Companhia Editora Nacional. São Paulo: 1971.
OATES. Phyllis Bennett. História do Mobiliário Ocidental. Lisboa: Editorial Presença. 1991.
LAVER, James. A Roupa e a Moda: Uma história concisa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989





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